quarta-feira, 25 de setembro de 2013

TRAIÇÃO

— Alô.
— Oi, Cela. Só tô ligando pra dizer que não vai dar pra te ver hoje.
— Ué, por quê?
— Ahh... Uns trabalhos aqui, amor. Mais tarde te ligo.
— Hum... Entendo..
— Te amo, minha gatinha. Fica triste não. Beijo!

Faziam semanas que Marcela e João não faziam um programa de casal, e aquilo já estava incomodando Marcela. Havia virado rotina eles marcarem algo e em cima da hora, João inventar outro compromisso.

Desde que João assumiu a direção da empresa, Marcela sabia que ter seu namorado só pra si seria impossível e mesmo ficando chateada, aceitava numa boa por ele. Mas João definitivamente estava passando dos limites no quesito “não dar atenção a própria”.

— Lu, tô indo encontrar o João. Não esquece de levar a chave quando sair – Gritou pra sua melhor amiga e companheira de apê, Luana.
— Mas você não disse que não ia mais? - Luana gritou de dentro do banho.
— Vou fazer uma surpresa pra ele. João tem trabalhado muito ultimamente e como sou amiga do porteiro, pego a chave e faço um jantarzinho pra nós.
— Pra gente você não faz né.
— Ai Lu, sua ciumenta! Depois faço quantos quiser, tá? Agora vou indo lá amiga, até mais tarde. - E bateu a porta, saindo de casa em direção ao elevador.

No caminho para casa de João, Marcela passou no mercado e comprou umas coisinhas gostosas. Foi pensando em cada detalhe do que poderia fazer pro seu jantar romântico com seu amado.

— Oi, seu Beto. João já chegou?
— Não senhora, dona Marcela. Vai subir?
— Vou sim. Não diga a ele que estou aqui, ok? É uma surpresa!
— Ok, senhora. Boa noite! - Ele sorriu docemente.

Marcela arrumou cada pedaço da casa, encheu de pétalas o quarto e velas a mesa. O aroma da lasanha que só ela sabia fazer tomava conta do lugar. Agora era só esperar João chegar.

Marcela ouviu barulho de passos, correu pra desligar as luzes e ficar com controle do som em mãos. Se escondeu e esperou João abrir a porta. Estranhamente ouviu mais que dois pés andando e quando pôs a cabeça para fora, avistou uma mulher junto dele. Não acreditou no que estava vendo, João beijando outra mulher.

— Então é esse seu trabalhinho, João? - Saiu do esconderijo. Olhava pra João incrédula e ele a fitava sem saber o que fazer.
— O que você tá fazendo aqui Marc..? - E quando olhou em volta, se deu conta de que era uma surpresa pra ele.
— Boa pergunta, João! - Pegou sua bolsa e parou em frente a porta — Também não sei o que vim fazer aqui. Mas uma coisa tenho certeza: Nunca mais voltarei. - Saiu escada abaixo, ignorando o fato de que sem elevador teria que descer 8 remessas de andares. Só queria soltar aquela energia de fúria pra fora de si.

— Calma, Marcela! Calma! - João deixou a garota que estava com ele e correu atrás dela. — Espera, Celinha!

Em vão. Marcela o chutou tão profundamente no joelho que não conseguiria tão cedo correr atrás dela. Correu as últimas escadas que faltavam e entrou em seu carro, vendo o vulto de João atrás, na rua. Foi pra casa e chorou horrores, deitou em sua cama e dormiu. Que noite!

No dia seguinte, João a esperava em sua sala. Luana como não sabia de nada, o deixou entrar. Marcela a fuzilou com os olhos.

— O que está fazendo aqui?
— Você precisa me ouvir...
— Presta bastante atenção, João! Eu estive sempre ao seu lado e você nunca deu valor. Vai embora e não volte. E quando me ver na rua, mude de calçada... Para o seu bem!

Meses depois João ainda tentava contato. Mais que nunca Marcela se encontrava plena, feliz e realizada. Estava linda, cuidando de si e dessa mania de se importar demais com pessoas que não faziam o mesmo por ela. Ligou o botão do “F”: Fui ser feliz e não volto.

O pior que João poderia esperar não era a ira de Marcela, muito menos vê-la com outro, mas sim a forma com que ela aprendeu a ignorá-lo profundamente. Poderia chorar em casa sentindo sua falta, mas isso era entre ela e seu travesseiro. As pessoas a viam sorrindo, e isso iria ser sempre assim.

O maior ensinamento que tirou disso foi que quando começar a ser colocada em segundo plano sempre, é hora de tirar essa pessoa de seus planos. E o mais importante: Acontecer coisas ruins é inevitável, prosseguir com elas é opcional.

NOVIDADE: Oi gente! Com a repercussão que o Blog está tendo, resolvi criar uma página
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Espero que gostem! : ) Beijos.

2 comentários:

  1. Parabéns Andrezza, seus textos estão cada vez melhores, estou acompanhando, grande abraço e saudades...

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