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quinta-feira, 7 de maio de 2015

QUE SEJA

que seja simples. seja imenso. repleto.
que seja cheiro. afago. carinho.
que seja vírgula. reticências.
que seja história. memória. lembrança.
que seja hoje. ontem. amanhã.
que seja explosivo. comedido. cauteloso.
que seja abraço. beijo. partida.
que seja quente. frio. morno.
que seja foto. carta. ligação.
que seja borboleta. embrulho no estômago.
que seja grito. alegria. tristeza.
que seja tradição. que seja o novo. que seja doce.
e mesmo que não seja eterno,
QUE SEJA!
não é conto.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

AMIGA DE NEGRITO

Assim resolvi chamar minha amiga mais próxima, aquela que sempre esteve ao meu lado até quando não estive ao dela. Garanto que vocês também já tiveram uma amiga assim, em negrito. É daquele tipo de amiga que te liga até quando você já perdeu o número dela dentre seus papéis e bagunça; que te manda e-mail mesmo que os outros 364 não tenham sido respondidos durante todo o ano; que se importa em saber se você está estudando direitinho ou se vai perguntar pra sua diretora, se for preciso. Aquela amiga que sente exatamente o que você sente; que te liga na hora que você mais precisa e diz “O que houve? Sei que não está bem” te deixando totalmente sem palavras pela rapidez em reconhecer seu coração.

Amigas assim certamente não são tão fáceis de encontrar quanto se pensa. Sempre haverá diversas amigas, até mesmo em itálico, mas em negrito posso lhe garantir que terá de procurar bastante. Ou somente esperar.

Amiga em negrito, ou amiga de negrito é aquela que conquista não só seu coração, mas o coração da sua família e até mesmo do seu namorado. Que sabe o nome de todas as pessoas importantes na sua vida e que faz careta quando você fala sobre outra amiga especial. Que diz “vai lá com ela” quando na realidade está morrendo de ciúmes querendo que fique.

É verdade que têm namorados que sentem ciúmes das amigas de negrito, seja por elas saberem tanto sobre você e quererem de alguma forma mostrar “conheço tanto ou até mais que você” ou pelo simples fato de terem que dividi-la com toda essa negritude que ambas tem uma com a outra. Já ouvi dizer que amizade entre mulheres é como um “casamento” e acho um pouco exagerado. Com toda certeza amiga em negrito é amiga fiel e precisa tanto de você quanto dela, mas o tempo para cada uma é necessário. Fique tranquila, ser amiga de negrito é entender que você tem um namorado, faculdade, trabalho ou até mesmo família para cuidar e precisa desse tempo só ou até sumir às vezes. Mas que ao telefonar querendo sumir de toda essa realidade, ela somente dirá “Estava esperando sua ligação, pode vir.”.

Pode ser clichê, mas a realidade é que uma amiga em negrito sempre irá lhe dizer a verdade e não aquilo que você quer escutar. Ela dirá o que você precisa ouvir, seja bom ou ruim. Se você tem como amiga que concorda com tudo que faz e diz, isso é uma parceira de crime, não uma amiga de negrito. Vocês duas se xingam entre quatro paredes, mas o mundo nunca poderá falar mal de sua grande amiga em negrito.

É legal saber que tem alguém com você o tempo inteiro em que precisar. Que vai te ouvir, gritar e rir com você; pegar um ônibus e sair em pleno domingo à noite só para tomar um sorvete e reclamar do fim de semana ruim que tiveram ou da semana que já vai começar. Ligar numa terça-feira de madrugada só pra contar a fofoca do dia e mandar sms o dia inteirinho rindo de como a vida te prega peças. Mas também compreender que sua amiga tem um espaço que é só dela e nem mesmo você, com toda essa negritude poderá ultrapassar. Ser amiga de negrito é isso, estar e não estar. Às vezes o importante não é falar e falar, tagarelar o tempo inteiro. Tem dias que ela só precisa da presença, do sorriso e do silêncio.

O nome disso tudo é ser melhor amiga. Assim, desse jeitinho, em negrito!

Esse texto é inspirado em uma grande
e eterna amiga, SF. Obrigada por tudo sempre!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

CARTA DE UMA EX MELHOR AMIGA

Oi. Se lembra de mim? Eu costumava ser seu ombro amigo quando sua única alternativa era chorar; seus olhos quando insistia não enxergar o que estava bem à sua frente, e seus pés, quando não conseguia mais caminhar. Eu costumava ser chamada nas horas mais improváveis, quando seus pais brigavam no meio da noite ou quando batia aquela vontade de comer brigadeiro na sua tpm.

Eu costumava te ligar só pra contar que o Gil disse “e aí, novidades?” e nós gritávamos juntas, histéricas e felizes. Seus pais costumavam dizer que eu era como uma filha pra eles e nós costumávamos dizer que éramos apenas amigas porque nossos pais não nos aguentariam como irmãs.

E aí, tá começando a lembrar quem sou eu? Sim, essa aí mesmo. Quando saía, te carregava nem que fosse debaixo do braço, nas circunstâncias que fossem: seja num aniversário de um primo seu em que chovia parecendo cair o Céu, ou naquele chá de panela da amiga da minha mãe em que ficávamos rindo da cara daquelas senhorinhas que insistiam perguntar o porquê de rirmos tanto. Mal sabiam que eram delas mesmo.

Às vezes me pergunto o que nossa amizade significou pra você, pois quando a distância física chegou, logo deu abertura para que nosso laço se distanciasse também. Confesso que até hoje não entendo como aquela amizade que juramos – você lembra que juramos? – ser para sempre, foi se esvaindo com tanta rapidez. Ao ver fotos sua com outras amigas é inevitável aquela pontinha de ciúme. Ciúme por que esse cargo de melhor amiga era meu, sejam naquelas insuportáveis aulas de História Medieval ou naquelas festas em que éramos a companhia uma da outra. Quando diziam “lá vem às gêmeas siamesas” sabia que era pra nós, e hoje quando ouço algo assim, olho a minha volta e você não está lá.

Acredito que agora consiga lembrar quem é a remetente. Sei que deve estar se perguntando o porquê de eu lhe enviar essa carta mesmo depois de anos sem contato. Um dia desses vi duas menininhas brincando no parque e uma delas esticou o dedinho mindinho e disse “- Promete ser minha amiga pra sempre? Até quando ficarmos bem velhinhas?” e a outra sorriu, dizendo “Sim! Você vai ser a madrinha da minha filha, esqueceu?” retribuindo o dedinho. E as duas rolaram de rir. E eu chorei. Chorei porque um dia acreditei fielmente em cada promessa que fizemos uma a outra e as trago comigo até hoje, mesmo que pela metade.

Eu costumava ser isso tudo. Essa mistura de amiga, mãe, irmã e até professora naquela matéria que você não ia bem. Eu iria para aquele programa de índio que nunca iria só, desde que fosse pra te acompanhar. E ainda tirava bom proveito de tudo isso. A realidade é que eu costumava ser sua melhor amiga e hoje não passo de uma desconhecida.
Com saudade,
daquela que sempre te esperou voltar.