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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A CAIXA

Peguei todo o nosso sentimento e transformei em algo palpável. Eu carregava todo o nosso amor naquela caixa. Eram momentos incrivelmente bons e outros dolorosamente ruins, mas eu jamais pensei em largá-la.

Ela era aquilo que tínhamos de mais valioso, todo o nosso puro sentimento carregado um pelo outro. Uma caixa imensa, às vezes pesava um pouco mais, às vezes pouco menos. Mas sempre pesava, afinal, havia tanto de nós ali dentro. Essa caixa era repleta de memórias, podia sentir a brisa de um dia frio na varanda ao seu lado.

A caixa começou a pesar mais que eu poderia aguentar, mas eu sempre aguentava. Eu fazia manobras para que ela pudesse ficar mais leve; sorria toda vez que o peso era ao ponto de chorar; carregava essa caixa com todo cuidado que eu pudesse ter.

Um dia, carregando minha caixa pra cima e pra baixo, já curvada, com olheiras de quem não dormia e cara de quem não comia, uma amiga perguntou: - Quê isso?
- Minha caixa.
- Que caixa, menina? Não tem nada aí.

E aí me dei conta: eu carregava um peso tão grande e sequer percebia que nada havia. Era em vão. Carreguei nossa caixa sozinha. E o que havia dentro era a enorme vontade daquilo que jamais existiu.

Chega.

Joguei tudo no primeiro lixo que encontrei. Nunca mais carrego um peso que não é meu.


   

domingo, 28 de janeiro de 2018

HOJE EU NÃO VOU BEBER

Hoje eu não vou beber.

A ressaca invadia minha cabeça, fazendo chacoalhar tudo em mim e eu só pensava no fato de não conseguir pensar em nada.
Não conseguia pensar que algo faltava nas noites, essas que insistiam ser longas sem a tua presença.

Ai! A dor na cabeça agora passava para o estômago. E eu não conseguia pensar nas infinitas pontadas que senti na barriga por sentir tanto e você tão pouco. Definitivamente não vou beber hoje.

Não pensei também em como nossos dias eram calorosamente bons e como nossos corpos se reencontravam até de olhos fechados no escuro. O sono pela noite anterior era imenso e certamente hoje não é dia para se beber.
Ouvi de relance Frank Sinatra, Janis Joplin e Amy Winehouse e adivinha? Sequer consegui fazer menção àquela odiosa e desgraçadamente boa playlist que havia feito pra nós.

E olha, bebi tanto que nem consegui lembrar de você com outra. Mas pela manhã vomitei tudo e junto vomitei as lembranças suas que haviam em mim.

E agora, 
analisando, 
já me sinto sóbria pra lembrar de tudo outra vez.

Hoje eu vou beber!

   

domingo, 7 de janeiro de 2018

AQUELA FOTO

Entrei no facebook dele. Analisei bem aquela foto e me perguntei o por quê de me chamar tanta atenção. Nada fiz. Saí de lá. 

Dias depois, voltei a acessar sua página. E assim foi por uns 3 ou 4 dias seguidos, e eu não entendia o que me fazia voltar lá. Não tínhamos qualquer contato, o que eu sabia dele era o pouco que qualquer um poderia saber.

Mas aquela foto... Nossa, como me chamava atenção! Click. Pedi solicitação de amizade. Depois de anos em que havíamos tido o mínimo de contato possível, lá estava eu, adicionando-o sem qualquer pretensão. Mas é que aquela foto... Ah...

Depois dessa solicitação passou basicamente um ano ou mais sem qualquer contato, até nos depararmos com uma série a qual eu assistia e ele já tinha assistido. Trocamos algumas palavras durante alguns meses. Diz ele que havia demonstrado interesse, eu nunca percebi. E se percebi, não levei fé. Não nele, não com todas as pré impressões que havia do mesmo.

Meses se passaram. Aquela série, que viraria minha preferida, havia nos dado uma brecha. E nós haviamos nos dado uma chance. 

Séries, músicas, humor ácido. Tínhamos muito mais em comum que imaginávamos. Deixamos pessoas pelo caminho e nos agarramos ao que éramos um para o outro. Nos percebemos literalmente sintonizados, falávamos sobre coisas iguais num mesmo minuto, comíamos a mesma comida em casas diferentes, ouvíamos a mesma música e claro: pensávamos na mesma pessoa: eu nele e ele em mim. Pois nessa altura do campeonato já havíamos virado um.

Queríamos manter tudo aquilo entre nós, tínhamos medo de mostrar todo o nosso sentimento ao mundo e sermos respondidos com olhos maiores do que deveriam, mas nosso amor era tão imenso que ele próprio se sustentava. E nós não fazíamos questão de manter-lhe aprisionado em nós mesmos, era tanto, que sentíamos nossos corações baterem numa mesma música. E tudo isso havia iniciado por aquela foto...

Vivemos todos os sentimentos do mundo de uma só vez, era como se ainda que pessoas tivessem passado por nossos caminhos, havíamos vivido todo esse tempo esperando um pelo outro. Os dias juntos eram poucos e os minutos longe eternos. Queríamos toda a vida pra nós. E se houvessem outras, que pudéssemos nos encontrar mais rápido que nessa. E viver tudo de novo outra vez.

Mas todo esse amor deu lugar à saudade. E hoje, ao clicar em sua página, me deparei com a mesma foto de anos atrás. Aquela a qual ainda tanto me chama atenção, só que agora com motivos diferentes. Antes era o mistério. E agora, com ele desvendado, a saudade é de tudo que pude descobrir sobre ele e me redescobrir ao lado dele.

Ah, aquela foto... Click. Saí. Só que dessa vez foi muito mais que rede social. 
   

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

CARTA DO PASSADO PARA O FUTURO II

Já deixo claro de antemão que não queria ter que escrever essa carta... não essa. Não pra outra pessoa que não fosse eu mesma.

Não sei como é o relacionamento de vocês, mas o nosso foi desses deliciosos. Muito conturbado, mas repleto de histórias hilárias e gargalhadas estrondosas. E muito, muito amor.

Cê já abriu o armário dele? Eu sei, só tem preto. E não é que ele fica lindo? Mas confesso que ainda prefiro ele de cinza, umas três camisas apenas que existem no meio dessa multidão dark (risos). Fica tranquila, você vai se acostumar ao fato dele não usar cuecas. Shorts serão o máximo de pano que você vai ver nele.

Essa carta é tão incrivelmente diferente da "Carta do passado pro futuro I" que dá vontade de rir só em lê-la. Ele é totalmente o contrário do meu primeiro namorado, a nossa preguiça se encaixava quase que perfeitamente. Nossos fins de semana e dias de folga se resumiam a Netflix na cama e comer besteiras. Nuggets! Nossa, como comíamos isso. E hambúrgueres, salgadinhos e japa. E bom, quanto ao Netflix, confesso que resumia-se apenas a "how i met your mother". Tentamos - juro que tentamos - começar séries novas juntos, assistir diferentes filmes e documentários, mas sempre acabávamos em HIMYM. Sempre. Always.

Ele é muito pé no chão. Muito fechado também. Se ele abrir o coração dele com você, dê atenção. Isso não acontecerá com frequência, mas se acontecer, acredite, você é realmente valiosa. Se ele te incluir em seus sonhos, mete o pé no acelerador e vai. Juntos pensávamos em data do casamento, pois tínhamos certeza de que aconteceria. Os nomes dos filhos escolhemos, e eu duvido que use os mesmos com você. Perdoe a sinceridade, é que era uma coisa muito nossa.

A nossa história é aquele potinho onde você guarda os melhores segredos e morre de ciúmes de mostrar ao mundo, sabe? Quando oficializamos nosso relacionamento para as pessoas, assistíamos juntos as diversas reações de choque em rede social. E ríamos de gargalhar, deitados, pensando no quão louco devia ser para essas pessoas que conheciam - mesmo que pouquíssimo - ambos. Tão diferentes, eles deviam pensar. Tão iguais, nós havíamos descoberto.

Eu e ele éramos café com leite. Eu, agito. Ele, calmaria. Me via fazendo diversas coisas ao mesmo tempo, falando três diferentes assuntos, explicando histórias de pessoas que nem ele mesmo conhecia e ele ali, com aqueles olhos miúdos e um sorriso de canto de boca, me ouvindo atentamente com aquele ar de paciência que só ele tem. No fim das contas eu parava tudo e falava: "ai, tô falando demais, né? Vou parar". E ele ria: "Não, não, fala. Eu tô ouvindo. E gostando", e a gente se beijava. E se amava. E ficava ali, no nosso cantinho, repetindo inúmeras vezes um para o outro: "Quem diria?" - e rindo logo após.

Ah... Esse homem... Ele me virou de ponta a cabeça. Quando começamos tudo, a última coisa que eu queria era alguém, mas ele era cheio de um mistério que eu tinha quase necessidade em desvendar. E nossos gostos, gestos e falas se sintonizavam a cada segundo. Eu quis me prender àquela história. Quis que nossas vidas se interligassem.

Ele dizia que eu mexi com a cabeça dele desde o início, que enfrentava ele de forma que alguém jamais fez e isso deixava ele maluco. Confesso que eu amava isso. Eu via a forma que as pessoas o tratavam e ria desacreditada, ele batia o pé que não, mas todos pisavam em ovos com o mesmo. E comigo ele era tão ele, totalmente desarmado, sem medo de expor opiniões ou sentimentos. Ouvi algumas vezes a frase "nunca contei isso pra ninguém..." da boca dele. E que delícia! Que bom saber que fui importante como ele foi.
Quis tanto que não virássemos passado no presente um do outro, mas as circunstâncias nos fizeram assim. Cada um para um caminho diferente... E como doeu, ainda dói, mas a verdade é que toda noite eu peço pra Deus continuar guardando ele, já que eu não posso mais fazer isso. E bom, agora ele tem você.

Eu sei que o que tivemos jamais teremos com mais ninguém. Sabe aquele único grande amor na vida? Então. Mas a gente se acostuma a viver sem, né? A gente dá lugar a trabalhos, séries, saídas. A gente dá um jeito. A gente tenta. Mas eu sei que no fundo, quando a gente se deita, ainda lembra de como cabíamos perfeitamente enlaçados numa pequena cama de solteiro. E como jamais encontraremos isso em outros corpos. Mas a gente tenta.
A gente tenta.

domingo, 19 de abril de 2015

NADA

Me fitava como se soubesse o que se passava em minha cabeça. Desviava todo o tempo seu olhar. Olhar cheio de perguntas, procurando achar respostas no meu. Eu repetia que nada havia, em vão. Ele continuava a perguntar.

Eu, repleta de sentimentos inquebrantáveis por aquele Ser, precisava manter-me firme quanto sua partida. Eu disse que não me permitiria chorar mais uma vez por alguém que desejasse ir embora assim, afinal, a vida é feita de escolhas. Mas ele insistia, parecia não compreender.

E por fim, disse nada haver - tentando deixar claro não só a ele, mas à mim.

Não há nada.
Nada.
Porém, um nada tão cheio de tudo.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

CARTA DO PASSADO PRO FUTURO

Cá estou, te escrevendo essa carta ainda que eu não a conheça, para lhe dizer que da mesma forma que a vida sorriu pra mim quando me trouxe de presente ele, hoje sorri pra você.

Ele é cheio de manias, adora gesticular como quem está brigando na rua, fala alto e fica bravo se você o corrige; adora comer porcarias, todo fim de semana vai te levar pra algum lugar.

Sim, ele adora sair.
Adora coisas novas, lugares novos, saídas sem rumo.

Talvez eu tenha falhado um pouco nisso, meu jeito metódico sufocava esse jeito livre dele de ser. Ele é desses que gosta de acordar num sábado de manhã, vestir uma camiseta rosa - não, não foi coincidência ele ter usado roupa de diferentes tipos de rosa, o armário dele é cheio dessa cor -, pôr os fones de ouvido e caminhar sem pensar no que fará mais tarde. Caminhar, andar de bicicleta, jogar futebol, respirar ar puro... viver.

Lógico que ele é cheio de defeitos, vai te dar bronca no momento mais impróprio, talvez feche a cara quando você mais precisar de um sorriso dele. Mas também vai bater na porta da sua casa com um buquê de flores e te pedir perdão, te dar um abraço de urso e sorrir com os olhos marejados de criança sem abrigo. Criança que quer se abrigar num abraço teu.

Ouça-o. Ele sempre terá muito o que dizer, suas conversas nunca serão monótonas. Ele transpira ideias e você será parte fundamental nelas, então ajude-o. Mas só ajude se tiver gosto em fazê-lo, caso contrário, ele se vira bem sozinho.

Bem provável que você se irrite com as brincadeiras de ogro que ele tem, mas não é por mal, ele realmente acha que suas forças são iguais.

Não se assuste se ele lhe enviar cartas, ele aprendeu isso quando ainda éramos amigos e pegou o gosto por expressar o sentimento em palavras. Releve a letra, ele sempre escreve quase dormindo ou acordando pela manhã.

Não se preocupe se no dia seguinte ele já tiver outra grande ideia pro futuro. Ele tem um coração sonhador, mas põe em prática tudo que sonha, ainda que não leve até o fim.

E ah, ele não vai falar. Não adianta pressionar! Depois de uma briga é capaz de você falar durante uma hora inteira sozinha e ele só vai abrir a boca quando sentir que deve ou tem algo a dizer. O máximo que vai fazer é pedir desculpas e assumir o erro, ele não é orgulhoso. Não muito.

Pode ser bem mais fácil pra você entrar de cabeça agora, mas se fosse eu no seu lugar, não aceitaria essas dicas por nada nesse mundo. Nada foi melhor que poder descobrir tudo isso tendo a experiência de vivê-las. E re-descobrir, re-fazer, re-criar, re-amar.

Porque quando não dava certo a gente voltava duas casas e re, outra vez.

sábado, 12 de julho de 2014

O CAFÉ ESFRIOU. E VOCÊ TAMBÉM.

Fiz todos meus afazeres logo pela manhã e quando me dei conta, o café havia esfriado; o vento cessado e em breve me daria conta que o amor; Ah, o amor... havia se perdido em meio a tantas idas e vindas.

— Podemos conversar? - quando ouvi isso automaticamente meus olhos se reviraram. Não por falta de querer, apenas por estar desacreditada que ainda faria alguma diferença. Afinal, quantas conversas mais eram precisas?

— Acha mesmo necessário, Henrique? - indaguei.

Continuei a mexer em papéis enquanto ele tentava remexer em coisas que me trariam mais problemas que toda aquela poeira dentro da minha gaveta. Ele queria mexer em sentimentos antigos, perfurando histórias a dentro que só me faziam sentir desânimo para prosseguir ao seu lado. O pior era ele não perceber, não entender, não querer ver o real problema.

Suspirei. De nada adiantavam todos os sermões, diálogos, horas a fio em explicações. Pois o primeiro passo para chegar a algum lugar é decidir que não está mais disposto a ficar onde está e certamente há tempos não saíamos do mesmo lugar: o egoísmo do nosso querer acima de qualquer outro.

E assim, me decidi. Primeiro entendi que não merecíamos alguém pela metade com meias verdades, meias entregas e meio coração. Ou seria tudo, ou era melhor que não houvesse nada. Entendi que não é justo comigo e com ninguém, pois dar-se pela metade é como um café que esfriou naquela tarde fria: quando mais precisava, não se teve.

Dei um fim nesse meio relacionamento. Não foi fácil, foi necessário jogar muita coisa velha e acumulada no lixo, para que eu conseguisse recomeçar sem estar pela metade. E hoje me vi por inteira, como há muito não me sentia.

Porque por muitas vezes pular fora do barco não é sinal de fraqueza, é entender que a dor pode ser menor por outros caminhos.



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

UMA CARTA ENVIADA TARDE DEMAIS

Oi, sou eu. Sei que é tarde, mas eu vim. Sou eu...

Já escrevi tantas outras cartas, mais precisamente, 364. Uma pra cada dia do ano. Estão todas empacotadas num canto do meu quarto, não tive coragem de enviar uma se quer. Ao lado estão mais duas caixas, uma cheia de presentes que comprei pra lhe dar, cada um com significado diferente e todos me remetem você. E a outra, bom, a outra caixa é repleta de coisas nossas: Papéis de bombons com frases românticas, fotos nossas, entradas de cinema que fomos juntos - e os que fui sozinha, pensando em você. Ursinhos com seu perfume, presentes que me deu, bilhetes de "eu te amo" que você espalhava pela casa... 

Desde que fomos cada um pra um lado, podia ainda te sentir aqui, como se fôssemos um. Como se nunca deixássemos de ser um.

Hoje, quando tomei coragem suficiente pra te escrever, era tarde demais. Tarde demais pra dizer "Volta pra mim, temos tanto pra viver". Tarde demais pra juntar todas essas cartas e presentes e bater na porta da sua casa, dizendo "É tudo pra você, é tudo de nós dois". Tarde pra dizer que nossa história nunca é tarde pra recomeçar. 

Mas foi tarde. Tarde demais!

E sentada em nosso banco preferido daquela pracinha, me pergunto: E agora? O que faço com tudo isso? O que faço com aquelas caixas, com as cartas, com os presentes? O que faço com toda nossa história? O que eu faço? 

E a única coisa em que consigo pensar é no quanto demorei pra tomar coragem. O quanto foi preciso pra que enfim levantasse daquela cadeira e deixasse o papel de lado.

E hoje você deixa de ser meu companheiro em terra, pra ser meu anjo no Céu. E assim, aqui no seu caixão, ponho a última carta que te escrevo. Eu vim como te prometi há anos atrás, agora você sabe, eu vim.

Me desculpe por ter sido tarde demais.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

TRAIÇÃO

Alô.
Oi, Cela. Só tô ligando pra dizer que não vai dar pra te ver hoje.
Ué, por quê?
Ahh... Uns trabalhos aqui, amor. Mais tarde te ligo.
Hum... Entendo..
Te amo, minha gatinha. Fica triste não. Beijo!

Faziam semanas que Marcela e João não faziam um programa de casal, e aquilo já estava incomodando Marcela. Havia virado rotina eles marcarem algo e em cima da hora, João inventar outro compromisso.

Desde que João assumiu a direção da empresa, Marcela sabia que ter seu namorado só pra si seria impossível e mesmo ficando chateada, aceitava numa boa por ele. Mas João definitivamente estava passando dos limites no quesito “não dar atenção a própria”.

Lu, tô indo encontrar o João. Não esquece de levar a chave quando sair – Gritou pra sua melhor amiga e companheira de apê, Luana.
Mas você não disse que não ia mais? - Luana gritou de dentro do banho.
Vou fazer uma surpresa pra ele. João tem trabalhado muito ultimamente e como sou amiga do porteiro, pego a chave e faço um jantarzinho pra nós.
Pra gente você não faz né.
Ai Lu, sua ciumenta! Depois faço quantos quiser, tá? Agora vou indo lá amiga, até mais tarde. - E bateu a porta, saindo de casa em direção ao elevador.

No caminho para casa de João, Marcela passou no mercado e comprou umas coisinhas gostosas. Foi pensando em cada detalhe do que poderia fazer pro seu jantar romântico com seu amado.

Oi, seu Beto. João já chegou?
Não senhora, dona Marcela. Vai subir?
Vou sim. Não diga a ele que estou aqui, ok? É uma surpresa!
Ok, senhora. Boa noite! - Ele sorriu docemente.

Marcela arrumou cada pedaço da casa, encheu de pétalas o quarto e velas a mesa. O aroma da lasanha que só ela sabia fazer tomava conta do lugar. Agora era só esperar João chegar.

Marcela ouviu barulho de passos, correu pra desligar as luzes e ficar com controle do som em mãos. Se escondeu e esperou João abrir a porta. Estranhamente ouviu mais que dois pés andando e quando pôs a cabeça para fora, avistou uma mulher junto dele. Não acreditou no que estava vendo, João beijando outra mulher.

Então é esse seu trabalhinho, João? - Saiu do esconderijo. Olhava pra João incrédula e ele a fitava sem saber o que fazer.
O que você tá fazendo aqui Marc..? - E quando olhou em volta, se deu conta de que era uma surpresa pra ele.
Boa pergunta, João! - Pegou sua bolsa e parou em frente a porta Também não sei o que vim fazer aqui. Mas uma coisa tenho certeza: Nunca mais voltarei. - Saiu escada abaixo, ignorando o fato de que sem elevador teria que descer 8 remessas de andares. Só queria soltar aquela energia de fúria pra fora de si.

Calma, Marcela! Calma! - João deixou a garota que estava com ele e correu atrás dela. Espera, Celinha!

Em vão. Marcela o chutou tão profundamente no joelho que não conseguiria tão cedo correr atrás dela. Correu as últimas escadas que faltavam e entrou em seu carro, vendo o vulto de João atrás, na rua. Foi pra casa e chorou horrores, deitou em sua cama e dormiu. Que noite!

No dia seguinte, João a esperava em sua sala. Luana como não sabia de nada, o deixou entrar. Marcela a fuzilou com os olhos.

O que está fazendo aqui?
Você precisa me ouvir...
Presta bastante atenção, João! Eu estive sempre ao seu lado e você nunca deu valor. Vai embora e não volte. E quando me ver na rua, mude de calçada... Para o seu bem!

Meses depois João ainda tentava contato. Mais que nunca Marcela se encontrava plena, feliz e realizada. Estava linda, cuidando de si e dessa mania de se importar demais com pessoas que não faziam o mesmo por ela. Ligou o botão do “F”: Fui ser feliz e não volto.

O pior que João poderia esperar não era a ira de Marcela, muito menos vê-la com outro, mas sim a forma com que ela aprendeu a ignorá-lo profundamente. Poderia chorar em casa sentindo sua falta, mas isso era entre ela e seu travesseiro. As pessoas a viam sorrindo, e isso iria ser sempre assim.

O maior ensinamento que tirou disso foi que quando começar a ser colocada em segundo plano sempre, é hora de tirar essa pessoa de seus planos. E o mais importante: Acontecer coisas ruins é inevitável, prosseguir com elas é opcional.

NOVIDADE: Oi gente! Com a repercussão que o Blog está tendo, resolvi criar uma página
para que pudéssemos ter um contato maior, o que acham? Cliquem aqui e curtam.
Espero que gostem! : ) Beijos.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

AQUELE OLHAR

Era dia. Um dia lindíssimo, por sinal. A luz do sol batia diretamente em meus olhos me fazendo acreditar que este seria um dia diferenciado. E como intuição feminina não falha – ou pelo menos a minha nunca havia falhado – aquela não foi só mais uma manhã cotidiana de sábado.

Fui caminhar cedo na praia como não fazia há tempos, sentir aquela brisa do mar me revigorava. O sol já estava por esquentar quando juntei minhas coisas e logo que saí da areia, ainda no calçadão, meus olhos encontraram olhos conhecidos.

Tremi por dentro, mas fingi normalidade. Limpava a areia dos pés enquanto pensava em como deveria agir ao levantar o rosto e dar de cara com ele ali. Justamente onde costumávamos nos encontrar. E quando o olhei, continuava a me olhar fixamente e foi inevitável, paralisei.

Oh Deus! Fazia tanto tempo e aqueles olhos ainda podiam dizer tanto a mim. Olhavam-me torturando fazendo imaginar como seria se caso ainda estivéssemos juntos. Frio, calor, tensão. Suava enquanto aqueles olhos penetravam os meus. Mas era tarde, tarde demais para pensar em uma história que tinha tudo pra dar certo, mas não deu. Logo avistei uma mulher com uma criança nos braços se aproximar e ele sorrir. Ao ver isso, voltei a solo terrestre e parei de vagar em recordações.

Olhei-o por uma última vez, me virei e jurei nunca mais pensar em nós com saudade. E assim prossegui minha vida, como vinha fazendo todo este tempo desde que partiu.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

AQUELA DORZINHA

Cá estou, mais pra lá que pra cá, entre sorrisos e lágrimas, sobrevivendo a cada dia. Hoje acordei com aquela dorzinha no coração, sabe? Essa aí mesmo que você tá pensando. Dorzinha que você costumava cuidar, e bom, ela era apenas uma dorzinha. Mas quando você se foi, se tornou um incômodo... Doía tanto que eu mal podia fingir um sorriso para aquela velhinha que dizia “bom dia minha filha” às 7h da manhã no ponto de ônibus.

Até parar de comer eu tinha parado, havia virado uma verdadeira caveira. E isso tudo por causa dessa dorzinha que insistia em permanecer e não passar jamais. Vivia zangada com a vida, mau humor era quase meu sobrenome. Já não saía com amigas e muito menos me dava ao luxo de conhecer pessoas novas. Meu ciclo sociável tinha se tornado eu, e... Eu.

Nem meu cachorro me aguentava mais. Era chegar em casa e ouvir o tilintar das chaves em minhas mãos que Bobby corria pra de baixo do sofá e só saía quando ia me deitar. Pois é, eu estava só.

Fui levando a vida assim até o dia em que resolvi sentar na minha cadeira que eu tanto gostava – e nem mais conhecia direito – de frente pro computador. Acessei o facebook e percebi que a vida continuava seguindo lá fora enquanto eu permanecia trancada aqui dentro. Tinham muitas notificações, mas as datas só condiziam há meses atrás. Ou seja, desistiram de tentar manter contato com alguém que havia se privado disso.

Minhas amigas fizeram novas amigas e se divertiam como costumávamos fazer toda sexta à noite depois do trabalho. E você... Bom, você prosseguiu com um sorriso no rosto. Poderia ter tido uma dorzinha também, mas pelo que percebi estava muito ocupado cuidando da dorzinha de outro alguém.

E eu? Eu me dei conta de que a vida não iria parar para que eu pudesse catar todos os pedacinhos que haviam se destroçado no chão depois de um término. Ainda que fosse de tanto tempo juntos. Me levantei daquela cadeira com um ânimo novo, era como renascer. Ver a vida tão bonita lá fora, esperando ter minha alegria de volta era como um pedido de recomeço. Um laço que eu só poderia fazer comigo mesma. Então resolvi tomar o melhor remédio que poderia sarar minha dor: A vida!

Hoje eu não deixo dorzinha alguma acabar com meu humor ou me fazer ficar em casa numa sexta à noite, a não ser que seja para uma festinha entre amigas. Bobby espera ansioso minha volta pra casa e quando chego é uma alegria sem fim. Mas o melhor de tudo foi entender que eu não posso colocar minha cura na mão de ninguém, eu saro por conta própria.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

CARTA DE UMA EX MELHOR AMIGA

Oi. Se lembra de mim? Eu costumava ser seu ombro amigo quando sua única alternativa era chorar; seus olhos quando insistia não enxergar o que estava bem à sua frente, e seus pés, quando não conseguia mais caminhar. Eu costumava ser chamada nas horas mais improváveis, quando seus pais brigavam no meio da noite ou quando batia aquela vontade de comer brigadeiro na sua tpm.

Eu costumava te ligar só pra contar que o Gil disse “e aí, novidades?” e nós gritávamos juntas, histéricas e felizes. Seus pais costumavam dizer que eu era como uma filha pra eles e nós costumávamos dizer que éramos apenas amigas porque nossos pais não nos aguentariam como irmãs.

E aí, tá começando a lembrar quem sou eu? Sim, essa aí mesmo. Quando saía, te carregava nem que fosse debaixo do braço, nas circunstâncias que fossem: seja num aniversário de um primo seu em que chovia parecendo cair o Céu, ou naquele chá de panela da amiga da minha mãe em que ficávamos rindo da cara daquelas senhorinhas que insistiam perguntar o porquê de rirmos tanto. Mal sabiam que eram delas mesmo.

Às vezes me pergunto o que nossa amizade significou pra você, pois quando a distância física chegou, logo deu abertura para que nosso laço se distanciasse também. Confesso que até hoje não entendo como aquela amizade que juramos – você lembra que juramos? – ser para sempre, foi se esvaindo com tanta rapidez. Ao ver fotos sua com outras amigas é inevitável aquela pontinha de ciúme. Ciúme por que esse cargo de melhor amiga era meu, sejam naquelas insuportáveis aulas de História Medieval ou naquelas festas em que éramos a companhia uma da outra. Quando diziam “lá vem às gêmeas siamesas” sabia que era pra nós, e hoje quando ouço algo assim, olho a minha volta e você não está lá.

Acredito que agora consiga lembrar quem é a remetente. Sei que deve estar se perguntando o porquê de eu lhe enviar essa carta mesmo depois de anos sem contato. Um dia desses vi duas menininhas brincando no parque e uma delas esticou o dedinho mindinho e disse “- Promete ser minha amiga pra sempre? Até quando ficarmos bem velhinhas?” e a outra sorriu, dizendo “Sim! Você vai ser a madrinha da minha filha, esqueceu?” retribuindo o dedinho. E as duas rolaram de rir. E eu chorei. Chorei porque um dia acreditei fielmente em cada promessa que fizemos uma a outra e as trago comigo até hoje, mesmo que pela metade.

Eu costumava ser isso tudo. Essa mistura de amiga, mãe, irmã e até professora naquela matéria que você não ia bem. Eu iria para aquele programa de índio que nunca iria só, desde que fosse pra te acompanhar. E ainda tirava bom proveito de tudo isso. A realidade é que eu costumava ser sua melhor amiga e hoje não passo de uma desconhecida.
Com saudade,
daquela que sempre te esperou voltar.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O ADEUS QUE NÃO PUDE DAR

Não sabia o que era pior, a madrugada sendo cada dia mais fria sem você ou a sensação de que a qualquer momento ultrapassaria aquela porta de madeira gritando “Ei ei, cheguei cheguei” cheio daquela risada e bom humor que só você tinha.

Vivia, mas era apenas isso: um replay de dias inexplicavelmente iguais e quase insuportáveis. Não passavam de manhãs, tardes e noites em preto e branco. Everyday. Todos os dias. Acordar, trabalhar, comer – quando lembrava, voltar pra casa e me aninhar em outro lugar que não fosse onde passávamos nossas inesquecíveis noites. Às vezes dormia na sala, caída pelo sofá e outras no quarto de hóspedes. Isso quando dormia.

A verdade é que passar noites em claro já era quase que um costume nesses últimos meses. A culpa por ter partido era como uma pedra que batia forte dentro de mim sem pena alguma da dor que causava. Ô, e que dor!

Se houvesse me traído ou sido traída, saberia que a raiva presente ofuscaria qualquer dor; se tivesse escolhido me abandonar, um pequeno sentimento de esperança haveria dentro de mim. Mas simplesmente saber que se foi, partiu sem volta e sem ao menos ter como dar um último “adeus”, era algo que nem terapia nem tempo algum poderia me fazer superar.


Nunca esperamos pela partida de alguém tão próximo. Enterrar pessoas de idade é enterrar o passado, mas ter que enterrar alguém tão novo é enterrar um futuro repleto de vida. Vida que se foi, vida que não volta.

E junto com essa vida, foi-se a minha também.