terça-feira, 2 de dezembro de 2014

CARTA DO PASSADO PRO FUTURO

Cá estou, te escrevendo essa carta ainda que eu não a conheça, para lhe dizer que da mesma forma que a vida sorriu pra mim quando me trouxe de presente ele, hoje sorri pra você.

Ele é cheio de manias, adora gesticular como quem está brigando na rua, fala alto e fica bravo se você o corrige; adora comer porcarias, todo fim de semana vai te levar pra algum lugar.

Sim, ele adora sair.
Adora coisas novas, lugares novos, saídas sem rumo.

Talvez eu tenha falhado um pouco nisso, meu jeito metódico sufocava esse jeito livre dele de ser. Ele é desses que gosta de acordar num sábado de manhã, vestir uma camiseta rosa - não, não foi coincidência ele ter usado roupa de diferentes tipos de rosa, o armário dele é cheio dessa cor -, pôr os fones de ouvido e caminhar sem pensar no que fará mais tarde. Caminhar, andar de bicicleta, jogar futebol, respirar ar puro... viver.

Lógico que ele é cheio de defeitos, vai te dar bronca no momento mais impróprio, talvez feche a cara quando você mais precisar de um sorriso dele. Mas também vai bater na porta da sua casa com um buquê de flores e te pedir perdão, te dar um abraço de urso e sorrir com os olhos marejados de criança sem abrigo. Criança que quer se abrigar num abraço teu.

Ouça-o. Ele sempre terá muito o que dizer, suas conversas nunca serão monótonas. Ele transpira ideias e você será parte fundamental nelas, então ajude-o. Mas só ajude se tiver gosto em fazê-lo, caso contrário, ele se vira bem sozinho.

Bem provável que você se irrite com as brincadeiras de ogro que ele tem, mas não é por mal, ele realmente acha que suas forças são iguais.

Não se assuste se ele lhe enviar cartas, ele aprendeu isso quando ainda éramos amigos e pegou o gosto por expressar o sentimento em palavras. Releve a letra, ele sempre escreve quase dormindo ou acordando pela manhã.

Não se preocupe se no dia seguinte ele já tiver outra grande ideia pro futuro. Ele tem um coração sonhador, mas põe em prática tudo que sonha, ainda que não leve até o fim.

E ah, ele não vai falar. Não adianta pressionar! Depois de uma briga é capaz de você falar durante uma hora inteira sozinha e ele só vai abrir a boca quando sentir que deve ou tem algo a dizer. O máximo que vai fazer é pedir desculpas e assumir o erro, ele não é orgulhoso. Não muito.

Pode ser bem mais fácil pra você entrar de cabeça agora, mas se fosse eu no seu lugar, não aceitaria essas dicas por nada nesse mundo. Nada foi melhor que poder descobrir tudo isso tendo a experiência de vivê-las. E re-descobrir, re-fazer, re-criar, re-amar.

Porque quando não dava certo a gente voltava duas casas e re, outra vez.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

ALMA CIGANA

É verdade que eu o amo e não tenho dúvidas do amor do mesmo por mim, já demonstrou diversas vezes que eu não precisava ter insegurança quanto a isso. Mas também é bem verdade que ele é despojado com a vida, nunca foi de se prender em lugar algum e achei injusto mantê-lo aqui em terra firme, enquanto sua cabeça pairava no mar.

É certo que o Zé queria ficar aqui, ao meu lado, mas é certo também que eu já não o sentia tão perto assim há tempos. E não por me amar menos, apenas por amar o mar tanto quanto amava à mim. Eu não sou dessas que pede pra ficar ou implora por amor, acho que o amor quando é verdadeiro é dado livremente, vem pra libertar e não pra prender.

E o Zé... bom, o Zé já não era livre há muito tempo. Eu nunca precisei de muito pra fazê-lo feliz, ele é desses caras simples que se contentam com um amor tranquilo, uma água de coco e um pôr-do-sol visto de dentro de um barco em alto mar.

Outro dia conversando com ele cheguei a conclusão que sua alma era cigana, ele não nasceu pra plantar os pés sobre a terra e ficar durante muito tempo ali. Ele veio ao mundo pra fazer história com seus próprios pés.

E eu o deixei ir, com um sorriso no rosto e um beijo estalado na testa ele partiu, acompanhado de um "se cuida, meu rei" ele entendeu que meu coração é dele, mas o dele é do mundo inteiro. Eu entendi que amar é deixar ir. Nem sempre o que é bom pra você, será bom pro outro. Às vezes é preciso escolher e eu escolhi por ele, porque nada me dói mais que assistir de perto àqueles olhinhos cheios de sonhos enterrados na areia da vida.

sábado, 12 de julho de 2014

O CAFÉ ESFRIOU. E VOCÊ TAMBÉM.

Fiz todos meus afazeres logo pela manhã e quando me dei conta, o café havia esfriado; o vento cessado e em breve me daria conta que o amor; Ah, o amor... havia se perdido em meio a tantas idas e vindas.

— Podemos conversar? - quando ouvi isso automaticamente meus olhos se reviraram. Não por falta de querer, apenas por estar desacreditada que ainda faria alguma diferença. Afinal, quantas conversas mais eram precisas?

— Acha mesmo necessário, Henrique? - indaguei.

Continuei a mexer em papéis enquanto ele tentava remexer em coisas que me trariam mais problemas que toda aquela poeira dentro da minha gaveta. Ele queria mexer em sentimentos antigos, perfurando histórias a dentro que só me faziam sentir desânimo para prosseguir ao seu lado. O pior era ele não perceber, não entender, não querer ver o real problema.

Suspirei. De nada adiantavam todos os sermões, diálogos, horas a fio em explicações. Pois o primeiro passo para chegar a algum lugar é decidir que não está mais disposto a ficar onde está e certamente há tempos não saíamos do mesmo lugar: o egoísmo do nosso querer acima de qualquer outro.

E assim, me decidi. Primeiro entendi que não merecíamos alguém pela metade com meias verdades, meias entregas e meio coração. Ou seria tudo, ou era melhor que não houvesse nada. Entendi que não é justo comigo e com ninguém, pois dar-se pela metade é como um café que esfriou naquela tarde fria: quando mais precisava, não se teve.

Dei um fim nesse meio relacionamento. Não foi fácil, foi necessário jogar muita coisa velha e acumulada no lixo, para que eu conseguisse recomeçar sem estar pela metade. E hoje me vi por inteira, como há muito não me sentia.

Porque por muitas vezes pular fora do barco não é sinal de fraqueza, é entender que a dor pode ser menor por outros caminhos.



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

UMA CARTA ENVIADA TARDE DEMAIS

Oi, sou eu. Sei que é tarde, mas eu vim. Sou eu...

Já escrevi tantas outras cartas, mais precisamente, 364. Uma pra cada dia do ano. Estão todas empacotadas num canto do meu quarto, não tive coragem de enviar uma se quer. Ao lado estão mais duas caixas, uma cheia de presentes que comprei pra lhe dar, cada um com significado diferente e todos me remetem você. E a outra, bom, a outra caixa é repleta de coisas nossas: Papéis de bombons com frases românticas, fotos nossas, entradas de cinema que fomos juntos - e os que fui sozinha, pensando em você. Ursinhos com seu perfume, presentes que me deu, bilhetes de "eu te amo" que você espalhava pela casa... 

Desde que fomos cada um pra um lado, podia ainda te sentir aqui, como se fôssemos um. Como se nunca deixássemos de ser um.

Hoje, quando tomei coragem suficiente pra te escrever, era tarde demais. Tarde demais pra dizer "Volta pra mim, temos tanto pra viver". Tarde demais pra juntar todas essas cartas e presentes e bater na porta da sua casa, dizendo "É tudo pra você, é tudo de nós dois". Tarde pra dizer que nossa história nunca é tarde pra recomeçar. 

Mas foi tarde. Tarde demais!

E sentada em nosso banco preferido daquela pracinha, me pergunto: E agora? O que faço com tudo isso? O que faço com aquelas caixas, com as cartas, com os presentes? O que faço com toda nossa história? O que eu faço? 

E a única coisa em que consigo pensar é no quanto demorei pra tomar coragem. O quanto foi preciso pra que enfim levantasse daquela cadeira e deixasse o papel de lado.

E hoje você deixa de ser meu companheiro em terra, pra ser meu anjo no Céu. E assim, aqui no seu caixão, ponho a última carta que te escrevo. Eu vim como te prometi há anos atrás, agora você sabe, eu vim.

Me desculpe por ter sido tarde demais.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

VIDA QUE GERA VIDA

Acordei no meio da noite com Giovana tendo a maior das contrações nesses 9 meses. Fiquei tão nervoso que mal conseguia pensar no que fazer, respirei fundo e... “Aaaah, vai nascer!”. Arregalei os olhos quando ela gritou isso acenando pra que eu pegasse a mala que já estava arrumada há mais de 2 meses – por sinal, não faço ideia do por quê mulheres fazem isso. Mas tudo bem, catei tudo e coloquei no carro, inclusive minha amada esposinha linda e pronta pra pôr mais uma vida no mundo.

Chegando no hospital, corri gritando qualquer pessoa que pudesse nos ajudar. Logo apareceram enfermeiras que puseram Giovana sentada numa cadeira de rodas e nos direcionaram para um quarto. Respirava fundo e falava pra Gio fazer o mesmo.

Amor, vai dar tudo certo. Ok? Daqui uns momentos nossa pequena estará em nossos braços. - As palavras cuspiam pra fora da minha boca, meu nervosismo era evidente.
Marcos, meu amor, calma! - Ela tentava me acalmar, rindo. Dá pra acreditar? Ela, prestes a dar luz tendo que me acalmar.
Eu tô bem, minha linda! Tô aqui com você, está bem? - Segurei firme em sua mão, entrelaçando nossos dedos.

Vamos levá-la pra sala de parto em 5 minutos. - Disse uma enfermeira e saiu do quarto.
Marcos, liga para nossos pais, tá?
Já liguei, amor. Tô só esperando eles chegarem. - Sorria enquanto acariciava seu rosto. Por dentro meu coração parecia um tambor e sentia meu rosto queimar de tanto nervoso.

Levaram Giovana pra sala de parto e eu fui conferir se nossos parentes haviam chegado. Dei graças a Deus quando vi meu pai em pé, sorridente e feliz por saber que sua netinha logo falaria “vovô” por aí. Corri em direção a ele.
Pai, não sei o que fazer. A Giovana já foi pra sala de parto, tô com medo. Não sei como agir, não quero passar isso pra...
Ei, filho – Ele dava tapinhas em meus ombros – não é hora de pensar, está bem? Sua esposa está lá dentro ansiando por sua presença ao lado dela, independente de como estiver. Ela precisa de você nesse momento e daqui uns minutos sua filha, SUA FILHA, estará no mundo. Tem certeza de que não quer ser o primeiro a vê-la? - Sorri aliviado. Meu pai sempre foi assim, me ajudava a mudar de menino para homem.

Corri pra sala 208, onde faziam os últimos ajustes pra começar o parto. Fui para o lado de Giovana: Meu amor, eu tô aqui do seu lado.. E da nossa filha. - Dei um beijo em sua testa e ela retribuiu com um sorriso.

Logo em seguida podia ouvir o chorinho da nossa pequena. A médica pôs nossa menina em meu colo e me agachei ao lado de Giovana, sentia que agora éramos completos. Sorríamos com lágrimas nos olhos. Era tão pequenina, tão ingênua, tão pura... Por isso demos o nome de Clara. Clara como a luz do dia.

Olhando pra Clara eu pude entender o que é verdadeiramente o amor! Deus junta um casal destinado a viver como um para sempre. E este amor é tão grande que não caberia em fotos, músicas ou cartas. Por isso a maior prova de que existe é o filho, quando se olha pra ele um consegue enxergar o outro. E novamente se encontram, mesmo que estejam separados.

É o amor de um casal que gera o maior amor de suas vidas: Seus filhos! Mais que herança de seus bens, são a herança de tudo aquilo que são.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

AMIGA DE NEGRITO

Assim resolvi chamar minha amiga mais próxima, aquela que sempre esteve ao meu lado até quando não estive ao dela. Garanto que vocês também já tiveram uma amiga assim, em negrito. É daquele tipo de amiga que te liga até quando você já perdeu o número dela dentre seus papéis e bagunça; que te manda e-mail mesmo que os outros 364 não tenham sido respondidos durante todo o ano; que se importa em saber se você está estudando direitinho ou se vai perguntar pra sua diretora, se for preciso. Aquela amiga que sente exatamente o que você sente; que te liga na hora que você mais precisa e diz “O que houve? Sei que não está bem” te deixando totalmente sem palavras pela rapidez em reconhecer seu coração.

Amigas assim certamente não são tão fáceis de encontrar quanto se pensa. Sempre haverá diversas amigas, até mesmo em itálico, mas em negrito posso lhe garantir que terá de procurar bastante. Ou somente esperar.

Amiga em negrito, ou amiga de negrito é aquela que conquista não só seu coração, mas o coração da sua família e até mesmo do seu namorado. Que sabe o nome de todas as pessoas importantes na sua vida e que faz careta quando você fala sobre outra amiga especial. Que diz “vai lá com ela” quando na realidade está morrendo de ciúmes querendo que fique.

É verdade que têm namorados que sentem ciúmes das amigas de negrito, seja por elas saberem tanto sobre você e quererem de alguma forma mostrar “conheço tanto ou até mais que você” ou pelo simples fato de terem que dividi-la com toda essa negritude que ambas tem uma com a outra. Já ouvi dizer que amizade entre mulheres é como um “casamento” e acho um pouco exagerado. Com toda certeza amiga em negrito é amiga fiel e precisa tanto de você quanto dela, mas o tempo para cada uma é necessário. Fique tranquila, ser amiga de negrito é entender que você tem um namorado, faculdade, trabalho ou até mesmo família para cuidar e precisa desse tempo só ou até sumir às vezes. Mas que ao telefonar querendo sumir de toda essa realidade, ela somente dirá “Estava esperando sua ligação, pode vir.”.

Pode ser clichê, mas a realidade é que uma amiga em negrito sempre irá lhe dizer a verdade e não aquilo que você quer escutar. Ela dirá o que você precisa ouvir, seja bom ou ruim. Se você tem como amiga que concorda com tudo que faz e diz, isso é uma parceira de crime, não uma amiga de negrito. Vocês duas se xingam entre quatro paredes, mas o mundo nunca poderá falar mal de sua grande amiga em negrito.

É legal saber que tem alguém com você o tempo inteiro em que precisar. Que vai te ouvir, gritar e rir com você; pegar um ônibus e sair em pleno domingo à noite só para tomar um sorvete e reclamar do fim de semana ruim que tiveram ou da semana que já vai começar. Ligar numa terça-feira de madrugada só pra contar a fofoca do dia e mandar sms o dia inteirinho rindo de como a vida te prega peças. Mas também compreender que sua amiga tem um espaço que é só dela e nem mesmo você, com toda essa negritude poderá ultrapassar. Ser amiga de negrito é isso, estar e não estar. Às vezes o importante não é falar e falar, tagarelar o tempo inteiro. Tem dias que ela só precisa da presença, do sorriso e do silêncio.

O nome disso tudo é ser melhor amiga. Assim, desse jeitinho, em negrito!

Esse texto é inspirado em uma grande
e eterna amiga, SF. Obrigada por tudo sempre!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

RECONCILIAÇÃO

Gabriel saiu do banho, automaticamente fechei os olhos e fingi dormir. Estava magoada demais para uma discussão aquela hora, já bastava ter aguentado ficar naquela festa até o final. Só queria dormir e tentar esquecer essa noite nada satisfatória.

Sei que está acordada, Letícia. - Gemi por dentro, mas continuei intacta, sem dar um movimento. Você jura que vai dormir sem falar comigo? E justamente por causa de uma festa e pessoas sem importância alguma?

Não aguentei, dei um riso falso. Abri os olhos e virada de lado podia vê-lo vestido em sua boxer rosa e camiseta branca, secando o cabelo molhado na toalha.

Letícia? - A voz dele havia passado de especulação para um pedido Lê, por favor.
Não quero conversar.
Mas meu amor, por favor, acredita em mim.
Gabriel, por favor digo eu! Estou cansada, já chega por hoje.

Ele deu um salto na cama, se deitou ao meu lado me abraçando pelas costas e sussurrando no meu ouvido dizia: Amor, essa mulher não tem noção! Você sempre soube disso. Eu nunca nem dei bola pra ela. Por favor, amor, me ouve. - Podia sentir o choro entalado em minha garganta, mas me mantinha firme e quieta, sofrendo em silêncio.
A única mulher que eu amo e sou loucamente apaixonado é você! É com você que eu escolhi passar todos os dias da minha vida. Escolhi você porque vê-la só umas horinhas não me bastavam, eu queria dormir e acordar ao seu lado para sempre.

Interrompi-o com lágrimas transbordando meus olhos Essa mulher não me respeita, não respeita minha presença. Age como se eu não estivesse ali...

Chorava que nem bebê. Estava extremamente magoada, com uma dor no peito me sentindo afrontada. Nunca liguei pra esse tipo de mulher que insiste em querer atenção de pessoas que ao menos ligam para sua presença, sempre fui segura quanto o amor de Gabe por mim. Afinal, não ficamos anos namorando e depois casamos à toa, sabíamos perfeitamente aonde estávamos pisando. E mesmo depois de tantos anos, nosso amor ainda era o mesmo daquele primeiro dia juntos.

Mas certamente essa noite havia passado daquilo que eu poderia aguentar sorrindo, abraçar Gabe como se fossem grandes e eternos amigos era demais pra mim. Sorte a dela ele ter me segurado e ignorado-a, deixando sem graça diante os outros convidados da festa, caso contrário não responderia pelos meus atos. E Gabe, bom, ele sabia disso melhor que ninguém.

Amor, você é minha vida desde o dia que lhe dei nosso primeiro beijo. E ela simplesmente não se conforma de eu ter escolhido você, de eu amá-la mais que minha própria vida. Eu sinto muito se existem pessoas como essa mulher que não respeitam um casal, e acabam nos incomodando. Mas não esquece que na realidade, mais que tudo, ela não se conforma das pessoas gostarem e a respeitarem tanto e com ela ao menos falarem. - Ele falava enquanto me acolhia em seu colo e acariciava meu rosto. — Lê, minha princesa, é você quem eu amo. E ninguém nunca vai mudar isso.

Me deu um beijo relembrando o amor que sentia por mim e me fazendo lembrar que sou eu a companheira de todos os dias dele, sejam bons ou ruins. Sou eu quem estou ao seu lado quando chega cheio de novidades do trabalho ou com lágrimas nos olhos por algo ter dado errado. Sou eu! E mulher nenhuma poderia competir com o fato dele me amar imensamente e eu a ele, como nunca amamos outros em nossas vidas.

E lá ficamos, deitados, apreciando a presença um do outro. Por mais que doesse brigar, nada superava a deliciosa sensação da reconciliação.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

TRAIÇÃO

Alô.
Oi, Cela. Só tô ligando pra dizer que não vai dar pra te ver hoje.
Ué, por quê?
Ahh... Uns trabalhos aqui, amor. Mais tarde te ligo.
Hum... Entendo..
Te amo, minha gatinha. Fica triste não. Beijo!

Faziam semanas que Marcela e João não faziam um programa de casal, e aquilo já estava incomodando Marcela. Havia virado rotina eles marcarem algo e em cima da hora, João inventar outro compromisso.

Desde que João assumiu a direção da empresa, Marcela sabia que ter seu namorado só pra si seria impossível e mesmo ficando chateada, aceitava numa boa por ele. Mas João definitivamente estava passando dos limites no quesito “não dar atenção a própria”.

Lu, tô indo encontrar o João. Não esquece de levar a chave quando sair – Gritou pra sua melhor amiga e companheira de apê, Luana.
Mas você não disse que não ia mais? - Luana gritou de dentro do banho.
Vou fazer uma surpresa pra ele. João tem trabalhado muito ultimamente e como sou amiga do porteiro, pego a chave e faço um jantarzinho pra nós.
Pra gente você não faz né.
Ai Lu, sua ciumenta! Depois faço quantos quiser, tá? Agora vou indo lá amiga, até mais tarde. - E bateu a porta, saindo de casa em direção ao elevador.

No caminho para casa de João, Marcela passou no mercado e comprou umas coisinhas gostosas. Foi pensando em cada detalhe do que poderia fazer pro seu jantar romântico com seu amado.

Oi, seu Beto. João já chegou?
Não senhora, dona Marcela. Vai subir?
Vou sim. Não diga a ele que estou aqui, ok? É uma surpresa!
Ok, senhora. Boa noite! - Ele sorriu docemente.

Marcela arrumou cada pedaço da casa, encheu de pétalas o quarto e velas a mesa. O aroma da lasanha que só ela sabia fazer tomava conta do lugar. Agora era só esperar João chegar.

Marcela ouviu barulho de passos, correu pra desligar as luzes e ficar com controle do som em mãos. Se escondeu e esperou João abrir a porta. Estranhamente ouviu mais que dois pés andando e quando pôs a cabeça para fora, avistou uma mulher junto dele. Não acreditou no que estava vendo, João beijando outra mulher.

Então é esse seu trabalhinho, João? - Saiu do esconderijo. Olhava pra João incrédula e ele a fitava sem saber o que fazer.
O que você tá fazendo aqui Marc..? - E quando olhou em volta, se deu conta de que era uma surpresa pra ele.
Boa pergunta, João! - Pegou sua bolsa e parou em frente a porta Também não sei o que vim fazer aqui. Mas uma coisa tenho certeza: Nunca mais voltarei. - Saiu escada abaixo, ignorando o fato de que sem elevador teria que descer 8 remessas de andares. Só queria soltar aquela energia de fúria pra fora de si.

Calma, Marcela! Calma! - João deixou a garota que estava com ele e correu atrás dela. Espera, Celinha!

Em vão. Marcela o chutou tão profundamente no joelho que não conseguiria tão cedo correr atrás dela. Correu as últimas escadas que faltavam e entrou em seu carro, vendo o vulto de João atrás, na rua. Foi pra casa e chorou horrores, deitou em sua cama e dormiu. Que noite!

No dia seguinte, João a esperava em sua sala. Luana como não sabia de nada, o deixou entrar. Marcela a fuzilou com os olhos.

O que está fazendo aqui?
Você precisa me ouvir...
Presta bastante atenção, João! Eu estive sempre ao seu lado e você nunca deu valor. Vai embora e não volte. E quando me ver na rua, mude de calçada... Para o seu bem!

Meses depois João ainda tentava contato. Mais que nunca Marcela se encontrava plena, feliz e realizada. Estava linda, cuidando de si e dessa mania de se importar demais com pessoas que não faziam o mesmo por ela. Ligou o botão do “F”: Fui ser feliz e não volto.

O pior que João poderia esperar não era a ira de Marcela, muito menos vê-la com outro, mas sim a forma com que ela aprendeu a ignorá-lo profundamente. Poderia chorar em casa sentindo sua falta, mas isso era entre ela e seu travesseiro. As pessoas a viam sorrindo, e isso iria ser sempre assim.

O maior ensinamento que tirou disso foi que quando começar a ser colocada em segundo plano sempre, é hora de tirar essa pessoa de seus planos. E o mais importante: Acontecer coisas ruins é inevitável, prosseguir com elas é opcional.

NOVIDADE: Oi gente! Com a repercussão que o Blog está tendo, resolvi criar uma página
para que pudéssemos ter um contato maior, o que acham? Cliquem aqui e curtam.
Espero que gostem! : ) Beijos.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O PEDIDO

Que bom que você veio! - Podia ver seu sorriso estampado em meio ao nervosismo.
Porque não viria, amor? - Acariciava seu rosto enquanto sorria.
Eu te chamei aqui porque precisamos conversar, Drica.
O que houve, Luís? - Perguntava olhando fixamente em seus olhos. Estava tenso.
Calma! Não é nada demais. Quer dizer, é. Mas não é ruim. - Falava tropeçando nas próprias palavras. Foi inevitável um risinho.
Luís, ei. Calma você. O que houve, amor? Você me tira do trabalho em meio expediente, diz que tem algo muitíssimo importante pra falar comigo e agora fica nesse gaguejo todo? Seja direto. O que tá acontecendo?

Ele pôs os braços em volta da minha cintura e eu amoleci na hora.
Você está certa de que deseja ficar comigo? Tipo, esse ficar de ficar pra sempre? - Não consegui reagir a pergunta. Será que ele estava falando de...? Sim ou não, Drica?
Claro, amor. Tenho certeza sim.
Nós estamos namorando há quase 8 anos e sei que seu sonho sempre foi namorar 10 anos, noivar e casar em seguida. Mas eu estava pensando e me perguntei o porquê de ainda estarmos apenas namorando. O porquê de não começarmos logo nossa família com nossos dois pequenos. Ou quatro. E não obtive resposta. Já estamos bem financeiramente, com emprego fixo e apartamento. O que estamos esperando de verdade, Drica? Porque eu não tenho mais desculpas pra dar a mim mesmo e não pedi-la em casamento. – Abaixou-se de joelhos ali mesmo, em nossa lanchonete preferida com Klaus e Lídia - nossos garçons também preferidos - assistindo nem tão bobos quanto eu estava.

Adriana, quer casar comigo? - Mal conseguia responder, minha garganta se fechou e foi automático as lágrimas percorrerem meu rosto.
Mas... Cla-claro que aceito, meu amor! - Agarrei-o imensamente feliz. Sorria extremamente boba com tudo que estava acontecendo.

Luís me abraçou tão forte e com uma alegria que transbordava em seus olhos. Poucas vezes o vi tão radiante dessa forma. Este dia certamente ficaria na memória, podermos enfim decidir ficar juntos por toda a vida é um sentimento inigualável. Nem mesmo todos os problemas que passamos poderiam corromper isto.

Fomos pra casa. Com um anel no dedo, muitos sonhos pra realizar e nada concreto. Apenas a vontade de nos unir e sermos um só pra sempre! Ou seja, na realidade, tínhamos tudo.